sexta-feira, 5 de outubro de 2007

As faltas violentas continuaram. Os críticos espiavam, fitando por algum tempo. Era parte amor, parte dor. Zico era determinação. Esperava o treino acabar e solitariamente aperfeiçoava seu repertório de cobranças, mirando uma toalha branca sobre o travessão, até que a lua já pudesse brilhar. Elas viraram fatais para os adversários.
Ben plugou sua guitarra telecaster, aumentou o volume e cantou:
- é falta na entrada da área, adivinha quem vai bater? É o camisa dez da Gávea, é o camisa dez da Gávea. – foram estas as palavras de Jorge Benjor e de todo torcedor flamengo. Esse sentimento era contagioso.
“Ele é pipoqueiro, corre do pau” Disse o técnico Poy do São Paulo, após uma derrota do Flamengo no Morumbi. Era o ano de 1976, veio a seleção de Osvaldo Brandão. Zico e Geraldo foram convocados. Zico aterrorizou Montevidéu e se deu bem em Buenos Aires, dividiu tantas bolas que até cartão amarelo recebeu. No dia seguinte Poy se rendeu: “Menti, se essa imagem de um Zico medroso existia era falsa. Ele une habilidade, técnica, inteligência e muita coragem”.
E como pedem as manhãs de domingo, felizmente, sedento, ali estava Nelson Rodrigues datilografando sobre o prelúdio de um craque.
- Amigos, no momento, interessa-me demonstrar por A mais B que Zico é o maior jogador do mundo. Outro qualquer daria esta opinião e mudaria de assunto, eu não. Saio de porta em porta, de esquina em esquina, de boteco em boteco, querendo passar adiante a minha verdade.
No País do futebol, a seleção de Brandão era bacana. Trazia os ídolos do Vasco, Botafogo, Flamengo, Fluminense, América, Cruzeiro, Atlético, Corinthians, entre outros. O placar foi de 1 a 1 num jogo em Brasília contra um “combinado local”. Bem distante do seu qualificado e aos olhos de Kissinger e do Presidente Geisel. Então o Almirante Heleno Nunes, dirigente da Confederação Brasileira de Desportos, vai ao vestiário e encosta Brandão na parede. “Tenha calma Senhor... Contra o Uruguai teremos Zico!” Disse Brandão depois de ser imperiosamente exigido.

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