
... A vida seguia seu curso em todas as freqüências, tudo era tão fantástico... Lentamente, o menino passou pela Rádio Metropolitana – do histórico programa “Hora da Broadway” – onde se ouviu, em primeira mão, Bill Halley cantando “Rock around the clock”. Depois a Rádio Mauá, a primeira a atender aos pedidos dos ouvintes por telefone. E assim arrastou conhecimentos e prazeres no rodear sutil dos ponteiros iluminados. De súbito, o tradicional assobio que ressoava por toda a cidade nos dias dos clássicos do futebol. Era a Rádio Globo e ali estava Waldir Amaral:
- o Relóóóóóógio maaarrrcaaa... Trinta e oito minutos da segunda etapa... Teeeem peixe na rede do Fluminense. Choveu na horta do Mengão, Zico!!! Dez... é a camisa dele. Indivíduo competente o Galinho de Quintino...
Neste mesmo momento, outros milhões de meninos também o escutavam. Emocionados e cantando, por algum tempo, seus hinos incomensuráveis. Começara, agora, a maior aventura de todos esses garotos e a história mais preciosa do Clube de Regatas do Flamengo.
Spot – Zico falando sobre apelido.
Vasco, América e Flamengo estavam no combate final de 1974. O Fluminense só foi bem no primeiro turno, vencido pelo América. O segundo foi conquistado pelo Vasco e o terceiro, pelo Flamengo - do técnico Jouber - que finalmente lançou o jovem Zico. O artilheiro dos juvenis teve poucas chances com o ex-treinador Zagallo.
Certa vez, o técnico, na época tri-campeão mundial, foi para o Flamengo diante dos maiores respeitos erguidos da imprensa, junto com ele os famosos Paulo César e Dario. Naquele ano, no campeonato juvenil de 72, Zico foi o artilheiro do princípio ao fim e o time da Gávea tornou-se campeão, decidindo a “melhor de três” com o Vasco da Gama.
O Galinho de Quintino fez de tudo no jogo. Aos 36 minutos do segundo tempo - quando o Vasco se mandava todo para o ataque -, inabalável, Zico matou a bola no peito e antes que na grama ela tocasse, como um violento disparo, chutou estufando de todo a rede do triste goleiro Mazzaropi. Flamengo 2 a 0.
Ao pôr do sol, Zagallo chegou ao vestiário esquivo às reportagens. Contudo, jogando conselhos para todos os lados. Olhou Zico, que se livrava dos meiões e disse:
- Escuta garoto, não vou contar com você agora... Porque te acho inexperiente... Tenha calma. -Era um quadro estilo: Pai e filho-.
“Tudo bem” Falou Zico, “Mas continuarei fazendo gols” Pensou. Foi um grotesco modo de se tratar um craque campeão. Não seria assim com Jouber.
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