terça-feira, 2 de outubro de 2007

05 - Decisão 1974 -



O artilheiro e outros 26 atletas formavam a base do Flamengo. Um elenco desacreditado e muito criticado após o empate com o Bangu e com a derrota para o Madureira. Parecia o nascimento desastrado de uma geração. Mesmo assim, o gringo Doval e os jovens foram se recuperando. Venceram o timaço do América por 2 a 1 e terminaram com 15 pontos. E impulsionado pela classe de Geraldo, Zico ficava mais perto da liderança na artilharia. Ao lado do Luisinho do América e de Roberto Dinamite.
Vieram as goleadas de 5 a 1 sobre o Madureira e os 4 gols no temido América de Bráulio. Pouco a pouco, o encantamento da invencibilidade conquistada se descortinou numa falta de estabilidade. Não era esse time um time conhecido nem um time previsto. Nas freqüentes substituições, o Flamengo custava encontrar seu conjunto. Ganhou o Vasco.
No terceiro turno, uma atsmofera vibrante dava novo fôlego ao veterano Doval, escarpado pela liderança de Zé Mário. Era nisso que embalavam Rondinelli, Júnior, Cantarelli, Vanderlei (Luxemburgo) e o espetácular Geraldo. Um time pauleira como o som daqueles dias. Bastavam alguns minutos de jogo pra que a camisa listrada como serpente porejasse sua tradição: 2 a 1 no Botafogo; um baile de 3 a 1 no Vasco; 2 a 1 no Fluminense. Vitórias estreitamente relacionadas à garra Rubro-Negra, como a sobre o América com gols de Júnior e Jaime. Finalmente, era preciso somente um empate na super-decisão com o Vasco.
Maracanã, final do campeonato carioca de 1974. Uma visão inesquecível. O Estádio Mário Filho como uma concha, curvando-se sobre o reluzente gramado. No vestiário, liminha percebendo insegurança no jovem lateral, que lentamente esticava os nastros da chuteira, disse:
- Olhe só Júnior, visto esta camisa há muito tempo... Quer saber por que (...)? Nunca, nunca deixei de correr. Esqueça que a casa está cheia. Não olhe para as arquibancadas... se cuida, ok???
Sem o ídolo Doval,eles subiram o túnel,Zé Mário - o craque rubro-negro - foi o primeiro a pisar no verdejante tapete do Estádio Mário Filho. Num só grito contagiante, explodiram rojões e milhares de papéis esvoaçantes entre tormentas de flâmulas e bandeiras. Júnior, não resistiu.Olhou, desobedeceu e jurou: “Serei o melhor em campo”.
Ali dentro, com o rufar dos tambores e o brando canto apaixonado.Começa a decisão de 1974.
O Vasco parte para o ataque constantemente mas, Edson e Zico pareciam feras perigosas, entre uma corrente de toques e passes de Liminha e Geraldo. A Charanga de Dona Laura tocava e tocava sob a quente tarde de verão. E aqueles jogadores poderiam empatar, alguns queriam de qualquer maneira, mas a torcida não. Era melhor gritar “gol de Geraldo”, “gol de Zico”. Era melhor.

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